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Tomar Colágeno dá Sono? Entenda os efeitos

Você já se perguntou se aquele suplemento de colágeno que está tomando para a pele ou as articulações pode estar afetando seu sono?

A pergunta parece simples, mas a resposta envolve uma rede complexa de processos bioquímicos, efeitos diretos e indiretos no corpo, e até mesmo nuances individuais.

Vamos explorar esse tema, desvendando mitos, revelando evidências científicas e oferecendo insights práticos. 

O que é colágeno?

O colágeno é a proteína mais abundante no corpo humano, representando cerca de 30% da proteína total. Ele atua como uma “cola” estrutural, dando sustentação à pele, tendões, cartilagens, ossos e até vasos sanguíneos.

Existem pelo menos 28 tipos de colágeno, mas os tipos I, II e III são os mais relevantes para a saúde humana. O tipo I, por exemplo, prevalece na pele e nos ossos, enquanto o tipo II está nas cartilagens. 

Com o envelhecimento, a produção natural de colágeno diminui. Aos 25 anos, perdemos aproximadamente 1% de colágeno por ano, o que explica o surgimento de rugas, dores articulares e perda de elasticidade da pele.

Essa queda levou à popularização de suplementos de colágeno hidrolisado, que prometem repor parte dessa proteína. Mas além dos benefícios estéticos e articulares, surgiu uma curiosidade: será que o colágeno interfere no sono? 

A resposta começa na composição do suplemento. O colágeno hidrolisado é rico em aminoácidos específicos, como glicina, prolina e hidroxiprolina. A glicina, em particular, tem papel conhecido na regulação do sistema nervoso.

Estudos mostram que ela age como um neurotransmissor inibitório, promovendo relaxamento e modulando ciclos de sono. Mas será que a quantidade presente no colágeno é suficiente para causar sonolência? 

Além disso, o colágeno não é consumido apenas em cápsulas ou pó. Caldos de ossos, pele de peixe e cortes de carne gelatinosos são fontes naturais.

A forma como o corpo processa cada uma dessas fontes varia, influenciando seus efeitos.

Enquanto o colágeno hidrolisado é pré-digerido para facilitar a absorção, o colágeno alimentar demanda mais trabalho do sistema digestivo. Essa diferença pode alterar a disponibilidade de aminoácidos como a glicina. 

Outro ponto é a interação com outros nutrientes. Uma refeição rica em proteínas, por exemplo, pode competir com o colágeno pela absorção, diluindo seus efeitos.

Por outro lado, consumi-lo com vitamina C — nutriente essencial para a síntese de colágeno — pode potencializar seus benefícios. 

Metabolismo do colágeno

Quando ingerimos colágeno, ele passa por um processo de digestão que o quebra em peptídeos menores e, finalmente, em aminoácidos livres.

O colágeno hidrolisado, por ser parcialmente digerido industrialmente, chega ao intestino mais rapidamente, onde é absorvido. 

A glicina, um dos aminoácidos resultantes, tem uma trajetória interessante. Ela atravessa a barreira hematoencefálica e se liga a receptores no cérebro que inibem a atividade neuronal excessiva.

Esse mecanismo explica por que a suplementação isolada de glicina é associada à melhora na qualidade do sono em pesquisas. 

Mas aqui surge um paradoxo: o colágeno contém cerca de 20-24% de glicina em sua composição. Uma dose típica de 10g de colágeno hidrolisado fornece aproximadamente 2g de glicina.

Estudos que investigam os efeitos da glicina no sono usam doses entre 3g e 5g antes de dormir. Ou seja, a quantidade presente no colágeno pode ser insuficiente para replicar os resultados observados com a glicina pura. 

Além disso, o corpo não direciona automaticamente a glicina para funções relacionadas ao sono. Parte dela é usada para síntese de creatina (importante para músculos), produção de bile ou desintoxicação hepática. A prioridade de uso depende das necessidades momentâneas do organismo. 

Outros aminoácidos do colágeno, como a prolina, têm funções distintas — principalmente na reparação de tecidos e produção de cartilagem.

Isso significa que os efeitos do colágeno no sono não podem ser atribuídos apenas à glicina. É preciso considerar sinergias e antagonismos entre seus componentes. 

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Efeitos diretos do colágeno no sono

Poucos estudos exploraram diretamente a relação entre suplementação de colágeno e sono. A maioria das evidências vem de pesquisas com glicina isolada.

Um estudo publicado em 2012 mostrou que 3g de glicina antes de dormir reduziam o tempo para adormecer e melhoravam a percepção de descanso. 

Isso sugere que, embora a glicina no colágeno possa ter um efeito modesto, outros componentes — ou a dose insuficiente — limitam seu impacto direto no sono.

Há ainda a hipótese de que o colágeno beneficie a saúde intestinal, influenciando indiretamente a produção de serotonina — precursor do hormônio do sono, a melatonina.

Cerca de 90% da serotonina é produzida no intestino, e um revestimento intestinal saudável (mantido, em parte, pelo colágeno) pode otimizar esse processo. 

Como o colágeno pode melhorar o sono sem afetar o cérebro

Mesmo que o colágeno não atue diretamente nos centros reguladores do sono, seus efeitos em outras áreas do corpo podem criar um ambiente favorável ao descanso. Por exemplo: 

  • Redução de dores articulares: A artrite e a osteoartrite frequentemente perturbam o sono. Ao fortalecer as cartilagens, o colágeno pode aliviar dores crônicas, permitindo noites mais tranquilas. 
  • Saúde da pele: Problemas dermatológicos, como eczema ou psoríase, causam coceira e desconforto noturno. O colágeno ajuda a manter a integridade da barreira cutânea, reduzindo irritações. 
  • Equilíbrio energético: Aminoácidos como a glicina participam da síntese de glicogênio, armazenado no fígado como reserva energética. Níveis estáveis de glicose durante a noite evitam despertares por fome ou fraqueza. 

Além disso, o ritual de consumir uma bebida morna com colágeno antes de dormir pode ter um efeito psicológico.

Associar o suplemento a um momento de relaxamento prepara a mente para o descanso, independentemente dos efeitos bioquímicos. 

Mas lembre-se de que suplementos não substituem hábitos saudáveis. Higiene do sono, alimentação equilibrada e gestão do estresse são fundamentais para um descanso reparador. 

Revisado por: Taynara Caroline – Nutricionista

REFERÊNCIAS:

  • Bannai, M., & Kawai, N. (2012). New therapeutic strategy for amino acid medicine: glycine improves the quality of sleep. Journal of Pharmacological Sciences. 
  • Clark, K. L., et al. (2008). 24-Week study on the use of collagen hydrolysate as a dietary supplement in athletes with activity-related joint pain. Current Medical Research and Opinion.
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Nutricionista - Taynara Caroline

Taynara Caroline

Instagram: @nutritaay

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Nutricionista com 4 anos em experiência em consultoria em empresas, consultório, desenvolvimento de conteúdos para sites, blogs e redes sociais sobre qualidade de vida, saúde, bem-estar, emagrecimento, receitas e alimentos. 

Taynara Caroline é registrada no Conselho Regional em São Paulo, pelo CRN° 49635. Graduada pelo Centro Universitário São Camilo em São Paulo, SP em 2017 e Pós Graduada em Nutrição Esportiva Funcional na Instituição VP Centro Nutrição Funcional (2019) Além disso possui curso de Personal Diet pelo centro SENAC.

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